WILLIAM TONET: “A PRESIDÊNCIA DO MPLA ESTÁ ACIMA DE TODOS OS OUTROS PODERES QUE EXISTEM EM ANGOLA”

A Friends of Angola (FOA), organização dos direitos humanos criada por angolanos e sediada nos Estados Unidos da América, organizou nesta terça feira última, 26, a segunda “Avaliação do desempenho do Chefe de Estado angolano João Lourenço à luz do seu discurso e prática”, evento que teve como orador o jornalista e director do semanário Folha 8 William Tonet.

Texto de Pedro Gonga

William Tonet prestou declarações sobre o actual momento político que efectivamente Angola e os angolanos estão a viver. Para William, a questão fulcral que os angolanos devem questionar e procurar saber nos dias de hoje é “se estamos na presença de facto de uma mudança ou se estamos na presença de uma transição ou se ainda estamos simplesmente na presença de uma rotação”.

Para o jornalista, desde 2017 até à data actual Angola ainda não assistiu uma mudança, mas houve, sim, “apenas uma rotação” no país, e tal rotação verificou-se justamente no MPLA. Tonet disse ainda que se os angolanos questionarem ao próprio MPLA sobre a “rotação” de José Eduardo dos Santos para João Manuel Gonçalves Lourenço poderão não saber responder ou explicar, porque eles apenas sabem que João Lourenço foi indicado pelo ex-presidente, sem direito a justificação.

Adiante, William Tonet disse que “se os angolanos estivessem em democracia e não em demo-ditadura o presidente da República justificaria aos eleitores porquê fez aquelas exonerações ou que continua fazendo, que infelizmente nada aconteceu ou acontece”. Ainda na sua explanação, o também jurista disse que o presidente da República perde muito tempo estando focado no MPLA. Tonet não acredita que o próprio MPLA e os angolanos saiam a ganhar com uma “acumulação de poder” como se pretende, sendo presidente do MPLA e presidente da República.

“O poder corrompe, muito poder corrompe ainda mais”, realçou William.

Para William Tonet, o presidente João Lourenço procura apenas ser fiel à primeira constituição do MPLA, uma constituição imposta ao povo porque foi exclusivamente aprovada a 10 de Novembro de 1975 pelo comité central do MPLA.

“Num dos epígrafes dessa constituição diz o que procura hoje ser o presidente João Lourenço: ‘ser o presidente da República e ser também o presidente do MPLA´. Porque a presidência do MPLA está acima de todos os outros poderes que existem em Angola”, avançou Willian.

Falando da bicefalia, William Tonet é de opinião que até ao momento o país não está mergulhado numa bicefalia enquanto o presidente da República não for o mesmo presidente do partido MPLA. “Só teremos bicefalia quando o presidente da República for o mesmo presidente do MPLA”, frisou.

Olhando para o sector da justiça, William não tem dúvidas de que “a justiça angolana ainda age com algumas anomalias, e quando o sistema de justiça age à margem da lei é porque o referido sistema apoia a ditadura, a desigualdade, e mais uma vez mostra claramente que esse princípio atenta a liberdade”.

A opção por militares para procurador-geral da República feita tanto pelo anterior como pelo actual presidente não é, para William Tonet, mera coincidência, visto que em política não existem.

“Tal prática tem acontecido porque é mais fácil nomear um procurador militar do que civil, isto porque o militar torna o presidente mais comodo”, disse.

Acompanhe na íntegra a “Avaliação do desempenho do chefe do Estado angolano João Lourenço a luz do seu discurso e prática ” feita pelo William Tonet.

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