Presidente angolano “agastado” com falta de combustíveis em Angola

Compartilhe
Fonte: SIC

A falta de divisas dificulta a compra de produtos refinados, importados em moeda estrangeira.

O Presidente angolano, João Lourenço, está “agastado” com a crise de combustíveis em Angola, disse hoje fonte oficial à agência Lusa, indicando que o assunto vai ser debatido esta manhã na Presidência da República.

Sem adiantar pormenores, a fonte salientou que a falta de combustíveis, que está a afetar todo o país desde a passada sexta-feira, vai gradualmente paralisando todos os setores produtivos em Angola e está a originar graves problemas de energia, sobretudo nas províncias do interior, dependentes do combustível para fornecer eletricidade.

Num comunicado divulgado no sábado, o único até agora emitido pela Sonangol EP, principal distribuidora de combustível angolana, justificou a escassez de gasolina e de gasóleo com dificuldades no pagamento dos produtos refinados importados em moeda estrangeira, prometendo que, em breve, a situação estaria ultrapassada.

A falta de combustíveis em Angola, acrescentou a fonte, foi, aliás, assunto abordado segunda-feira por João Lourenço num encontro que decorreu no Palácio Presidencial, na Cidade Alta, em Luanda, em que exigiu um “relatório pormenorizado” sobre a situação, que irá ser entregue hoje.

No encontro estiveram presentes os ministros angolanos dos Recursos Minerais e Petróleos, da Energia e Águas, e das Finanças, bem como o governador do Banco Nacional de Angola e o presidente do Conselho de Administração da companhia petrolífera angolana Sonangol, entidades encarregadas de elaborar o relatório.

A falta de combustíveis em Angola, que começaram a rarear na passada sexta-feira, levou ao disparar dos preços do litro de gasolina e gasóleo um pouco por todo ao país, atingindo, nalguns casos quase o quádruplo.

Em Luanda, grande parte dos postos de combustíveis das diferentes empresas de abastecimento estava encerrada, enquanto as abertas contam com grandes filas de automóveis ligeiros, veículos de transporte de mercadorias, táxis, motociclos e jovens com dezenas e dezenas de bidões que, depois de o adquirirem ao preço oficial, vão vendê-lo mais caro nos bairros periféricos.

Isso mesmo foi confirmado segunda-feira à Lusa por um punhado de jovens que aguardou, num posto de combustíveis de uma das principais artérias de Luanda, a Avenida Ho Chi Min, quase sete horas para encher inúmeros bidões de 30 a 50 litros que colocaram numa carrinha de caixa aberta, estacionada mais à frente.

PREÇO DO COMBUSTÍVEL PODE QUADRIPLICAR NO MERCADO PARALELO

Um litro de gasolina em Angola custa, oficialmente, 160 kwanzas (0,44 euros), enquanto o de gasóleo ascende a 135 kwanzas (0,37 euros), números que os jovens garantiram à Lusa conseguirem duplicar, triplicar e, nalguns casos mesmo, quadruplicar no mercado paralelo.

Sábado, no comunicado, a Sonangol EP, garantiu que a situação será ultrapassada em breve, havendo a perspetiva de regularização até quarta-feira.

No documento, a empresa assumiu dificuldades no acesso às divisas para a cobertura dos custos com a importação de produtos refinados, uma vez que efetua o pagamento em divisas para venda no mercado nacional em kwanzas.

Outro fator apontado pela Sonangol está relacionado com a elevada dívida dos principais clientes do segmento industrial, que, refere a empresa, consome cerca de 40% da totalidade do combustível, e cuja falta de pagamento condiciona também a disponibilidade de kwanzas para a aquisição de moeda estrangeira.

Não obstante a situação, a Sonangol assegurou “total e permanente empenho” na regularização dos mercados, garantindo ter já efetuado o pagamento aos fornecedores de produtos importados, estando, desde sábado, em processo de descarga de “quantidades suficientes para repor as condições de abastecimento”.

No entanto, apenas uma percentagem reduzida dos milhares de postos de combustíveis existentes em Angola está a receber combustível, com as centrais elétricas nas províncias do centro e sul do país a encurtarem os períodos de distribuição de energia elétrica, admitindo o risco de “total apagão”.

Lusa.

Leave a Reply