ACTRIZ CLASSIFICA DE TERROR CIDADÃOS DORMIREM AO RELENTO À PORTA DE MATERNIDADE

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Raquel da Lomba, conhecida actriz que contracenou com o actual deputado e vice-presidente da UNITA Raul Danda, escreveu nas redes sociais o “terror” que assistiu ao ir à maternidade Augusto Ngangula, localizada no Miramar, perto da residência do ex-presidente da República José Eduardo dos Santos e da embaixada norte-americana, em Luanda.

Texto de Rádio Angola

“2 horas da madrugada no Miramar, vulgo B.O, por frente a União Rand Rover, ao lado do banco Bic e Casa das Chaves, fui acordada para ir doar sangue a filha de uma amiga em serviço de parto na maternidade Ngangula, encontro esse filme de terror: familiares das mulheres que vão dar à luz não podem ficar dentro do hospital, homens, mulheres e crianças a essa hora dormem ao relento na humidade, Luanda já está húmida nessa altura. Acordei umas e perguntei porque não vão a casa. E a resposta é unânime: Vivemos longe e as nossas famílias vêm cá pra fora ou telefonam para comprarmos medicamentos, luvas, seringas, e às vezes levar dinheiro.”

A imagem pode conter: mesa e ar livreConhecida pela personagem que representou na telenovela, Raquel da Lomba perguntou: “esse cheiro nauseabundo de urina são vocês que o fazem?”, e ouviu em resposta: “Sim, tia Minerva”.

“E como fazem necessidades maiores?”, perguntou novamente. “No saco e atiramos no contentor, e os jovens que vêm das discotecas nos arredores também urinam aqui. Todos nós”.

Indignada como se fosse a primeira vez a ver tal situação que se regista há longos anos em quase todos os hospitais de Luanda e outras províncias, Raquel da Lomba continuou a desabafar no Facebook:

“Meu Deus, que saúde temos cá em Angola? Essas pessoas vão todas ficar doentes com graves problemas, e não vão conseguir tomar conta dos familiares internados, isso é desumano. Será que o Ministério da saúde ainda não deu conta disso? Acontece em todos os hospitais e os familiares não podem ir à casa porque são chamados para assumir certas tarefas como levar medicamentos e comidas. É desumano, uma barbárie, perdi sono. No Lucrécia Paim é a mesmíssima coisa: um filme de terror. Vocês de direito a essa hora estão no ar-condicionado refastelados, a roncar e lançar gases enquanto o povo está nessa miséria no sofrimento. Será que não podem criar políticas para acabar com isso? Ou arranjar espaço para entrar um acompanhante como noutros países onde respeitam o Cidadão!”

“Eu só sei que nessa selva não vamos chegar a velhos. É muito sofrimento, estamos a voltar aos anos 80, sem luz, água, sem combustível nas Bombas e sem gaz de cozinha, a semana passada ficamos a procura de Gaz ao ponto de comprar uma butija no mercado ao preço de 4.000 kz e a pedir favores. Ou isso é sabotagem ou então fomos abandonados por Deus. Misericórdia, Misericórdia, Fumu Nzamby Wiza…”

“Falecido Beto de Almeida tinha uma canção cujo o refrão era:

Temos sofrer male, estamos sofrer maleeeeee.

O pior é que ninguém reclama existe um silêncio profundo uma onda de medo no seio de quem deveria falar, todos calados, o medo de perder o pão está maior que a coragem”.

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